É muito comum ouvir dos pais, no consultório, frases como: “Doutora, ele chora só de ver o jaleco!” Ou ainda: “Se você não ficar quieto, vai levar uma injeção!”.
Essas situações, embora muitas vezes ditas de forma inconsciente, acabam contribuindo para que a criança associe o consultório médico ao medo, à dor ou a algo ruim.
O medo do jaleco branco é real e não surge por acaso. Ele, muitas vezes, é fruto de experiências anteriores carregadas de ansiedade, insegurança ou até mesmo pela forma como os próprios adultos se referem à consulta médica.
Vamos entender melhor.
Por que ter um médico de referência faz toda a diferença?
Ter um pediatra ou hebiatra de referência é essencial para que a criança ou o adolescente se sinta seguro nas consultas, porque ajuda a construir uma relação de confiança, na qual o consultório deixa de ser um ambiente de tensão e passa a ser um espaço de cuidado, acolhimento e saúde.
Ainda nesse sentido, quando as consultas são realizadas de forma preventiva e não só quando há doença, aquele ambiente, os instrumentos e até o próprio jaleco deixam de ser motivo de medo e passam a fazer parte da rotina de cuidado.
Enquanto pediatra e hebiatra de referência para muitas famílias, já escutei algumas frases que nunca devem ser ditas.
“Não conta que vai no médico”: um erro que gera ansiedade
Muitos pais, na tentativa de evitar choro ou resistência, preferem não contar que estão levando a criança ou o adolescente à consulta. No entanto, essa prática costuma gerar mais insegurança, susto e, consequentemente, mais medo.
Quando a criança entende que ir ao médico é algo escondido, ela pode sentir que há algo errado acontecendo, além de perder a oportunidade de se preparar emocionalmente para aquele momento.
“Se não se comportar, vai tomar injeção”: quando ir ao médico é castigo
Esse tipo de fala, que às vezes sai sem intenção, reforça a ideia de que o médico é alguém que faz “castigo” ou “punição”. E isso tem impacto direto na construção da relação da criança e do adolescente com sua própria saúde.
Boas práticas para tornar a consulta mais tranquila:
- Converse antes: explique com antecedência que vocês irão ao médico, de forma natural e tranquila.
- Foque no cuidado: diga que o médico está ali para ajudar, acompanhar o crescimento, ouvir e cuidar.
- Leve objetos de conforto: um brinquedo, um livro ou algo que a criança goste pode ajudar a deixá-la mais segura.
- Seja honesto: se há possibilidade de procedimentos (como vacina ou exame), fale com sinceridade, mas reforçando que são necessários para proteger e cuidar.
Valorize o depois: após a consulta, elogiar o comportamento e até fazer uma atividade prazerosa pode ajudar a criar boas memórias daquele momento.
Consulta não é só quando está doente. É cuidado, é prevenção, é construção de vínculo.
Quando cuidamos da saúde de forma contínua, com um médico de confiança, evitamos que a criança ou o adolescente veja a consulta como um momento de medo e, sim, como parte do seu autocuidado desde cedo.
Aqui, no consultório, meu compromisso é exatamente esse: cuidar, ouvir e acolher. Juntos, podemos tornar a experiência de cuidar da saúde mais leve, segura e, acima de tudo, positiva para toda a família.