You are currently viewing “Melhor beber em casa?”: o que você precisa saber sobre álcool na adolescência

“Melhor beber em casa?”: o que você precisa saber sobre álcool na adolescência

Nas conversas com a família, amigos e pacientes, percebo que falar sobre o uso de álcool na adolescência é um desafio para muitas famílias. Em busca de proteger os mais novos, algumas optam por oferecer bebidas dentro de casa, acreditando que “é melhor que ele beba em casa do que na rua”. 

Embora essa ideia seja bastante comum, é importante dizer – com base em evidências -, que o ideal é que adolescentes não consumam álcool em hipótese alguma. E há motivos sólidos para isso.

Riscos do álcool para adolescentes

Nas últimas décadas, houve uma mudança importante no perfil de saúde da população jovem. As principais causas de adoecimento e morte entre adolescentes deixaram de ser doenças infecciosas e passaram a estar relacionadas a comportamentos de risco, como o uso de álcool.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, o álcool é a droga legal mais consumida por adolescentes no Brasil e no mundo. E os dados são alarmantes: segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o consumo excessivo de álcool é responsável por cerca de 2,5 milhões de mortes por ano no mundo, mais do que a AIDS ou a tuberculose.

Seu uso precoce é preocupante tanto pela impulsividade e tendência à atividades de risco, tão características desta fase da vida, quanto pelos efeitos negativos no cérebro em desenvolvimento, que podem ter repercussões duradouras.

E quando falamos em cérebro em desenvolvimento e o consumo de bebidas alcoólicas, nós sabemos que ele compromete principalmente a região cortical, afetando negativamente o desenvolvimento cognitivo, emocional e social do indivíduo.

Além disso, quanto mais cedo o adolescente começa a beber, maior é a chance de se tornar um consumidor excessivo na vida adulta.

Então, como agir?

Mais do que proibir, o que protege é abrir espaço para o diálogo, a escuta e a orientação segura. A forma como cuidadores se posicionam diante do tema faz toda a diferença. 

Já parou para pensar que quando oferecemos o álcool aos filhos ou tratamos o consumo como algo normal, podemos estar passando a mensagem de que não há riscos?

Falar sobre álcool com o seu filho adolescente não precisa ser uma conversa difícil, mas precisa ser feita com clareza, acolhimento e responsabilidade.

Se você tem dúvidas sobre como abordar o assunto ou percebe comportamentos que preocupam, procure ajuda profissional. O cuidado começa em casa, mas não precisa ser solitário.

Meu consultório está de portas abertas para a sua família. 

Deixe um comentário