Se há uma certeza na vida, é a de que um dia ela chega ao fim. Falar sobre isso é um tabu, ainda mais com as crianças. Mas enquanto médica pediatra eu gostaria de lembrar que não somos apenas nós, adultos, que sentimos a dor do luto: as crianças, por menores que sejam, também o sentem – à sua maneira.
Com a chegada do Dia de Finados (02/11), um momento em que naturalmente refletimos sobre a ausência e a memória, pensei em trazer um olhar diferente sobre o tema, e me lembrei de um filme infantil lindo, profundo e sensível sobre a morte: Viva – A Vida é uma Festa.
Passando brevemente pela sinopse do filme, caso você ainda não tenha assistido, o nome original do longa metragem é “Coco”, mas foi traduzido para o português como “Viva – a Vida é uma Festa” – e, na minha opinião, este nome faz muito mais sentido.

Produzido pela Disney Pixar, o filme conta a história de Miguel, um garotinho que sonha em se tornar um grande músico como seu ídolo, Ernesto de la Cruz! Para provar seu talento, ele viaja até a Terra dos Mortos, onde conhece o trapaceiro Hector e juntos vivem uma jornada para descobrir a verdade por trás da história da família de Miguel.
Na minha leitura como pediatra e alguém que acredita no poder das histórias, o longa é um lembrete de que não devemos esconder a dor da perda, nem esquecer quem já partiu. É, ao mesmo tempo, uma despedida e uma celebração da vida.
O ar lúdico, as cores infinitas e maravilhosas, assim como as canções belíssimas e os personagens divertidos, têm o poder de tocar o coração dos adultos e de abordar um tema que raramente as crianças poderiam ter contato, se não perdessem alguém próximo à família.
“Viva” não nos ensina uma fórmula mágica para lidar com a dor, mas certamente nos ajuda a entender que crianças podem sim absorver dores e entender tópicos que não imaginávamos que conseguiriam.