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Pais educam e avós deseducam? A visão de uma pediatra

Quando estamos sem filhos, a vida é uma uma montanha-russa de parque de diversões de estacionamento de shopping. Você sabe que vai subir, vai descer, e mesmo que veja o início e o fim do percurso, não tem como saber qual momento será mais emocionante (ou assustador!) até embarcar e curtir o trajeto.

Quando temos filhos, a vida é a maior montanha-russa do Parque da Disney. Sabe aquela que dá frio na barriga até no maior fã de adrenalina? Essa mesmo. Você até consegue ver onde começa e onde termina, mas só de olhar a quantidade de voltas de cabeça para baixo já dá pra sentir que a experiência vai ser bem diferente daquela do shopping.

A montanha-russa é uma metáfora comum, porque mesmo quem nunca andou numa já consegue imaginar a sensação. O nosso cérebro cria essas conexões, transforma o imaginado em quase real.

Nós, que somos mães e pais, vivemos nessa constante montanha-russa da Disney, e olha que nem o melhor engenheiro de brinquedos seria capaz de imaginar as reviravoltas, sustos e emoções em tão pouco tempo.

Mas tem algo que a gente costuma esquecer, ou talvez nunca tenha parado pra pensar: alguém já viveu tudo isso… com a gente.

Essas pessoas hoje são os avós e as avós. E na cabeça deles, a função principal neste grande parque de diversões é criar o maior número possível de boas memórias com esse novo passageiro da montanha-russa, e isso, muitas vezes, significa desobedecer algumas orientações dos “chefes” do brinquedo (também conhecidos como pais e mães).

É nessa hora que os responsáveis entram em cena num carrinho de bate-bate emocional: “Quando eu te dei doce antes dos 2 anos você ficou tão feliz!”, “Mas a pediatra ensinou que não é benéfico para ele!”, “Vamos mostrar para ele aquele desenho que você amava quando criança”, “Mas ele é muito novinho para dar tanto acesso às telas! Vamos esperar mais tempo…” e por aí vai. 

Nessas horas, eu me lembro de uma palavra que exige tempo, dedicação e respeito mútuo para funcionar nessa montanha-russa: diálogo.

E se houver uma possibilidade de unir as duas montanhas-russas da Disney e tornar essa experiência a melhor possível? Afinal, os dois lados querem o melhor e o mais amável para este novo – e pequeno! – ser que está começando a encostar nos trilhos da sua própria jornada. 

Para nós, filhos e filhas, muitas vezes é difícil dialogar com os nossos pais e fazer com que eles compreendam nossas decisões. Por isso, sempre recomendo: acolha primeiro o sentimento deles. Depois, explique com objetividade o motivo por trás da sua escolha. E, com carinho, lembre-os de que, desta vez, a palavra final é sua.

Aos avós e avôs, eu sugiro que acolham seus filhos e deixem que expliquem o motivo pelo qual estão fazendo essa escolha. Se não concordar, não tem problema, siga as orientações da mesma forma. Acolher, agora, também é um gesto de amor. Mas, tenho certeza que isso não vai te impedir de registrar e criar as melhores memórias para seus netinhos e netinhas. 

Porque no fim, o que garante uma tarde tranquila no parque… é o diálogo.

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