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Quando o jogo deixa de ser brincadeira: bets e adolescência

“Um levantamento do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia apontou novas práticas ilegais dos sites de apostas, as chamadas “bets”. De acordo com o relatório, empresas estão fazendo propagandas de apostas on-line direcionadas a crianças e adolescentes.”

Essa notícia foi publicada dia 04 de junho de 2025 pelo Cultura, da UOL, e escancara que um problema de saúde pública que envolve jovens e adultos também pode atingir crianças e adolescentes de forma ilegal: o vício nas bets. 

O vício nas “bets”, como chamamos os jogos de casas de apostas on-line, vem sendo discutido enquanto uma questão de saúde pública, já que levou brasileiros e brasileiras à falência e, em casos extremos, à tirar sua própria vida. 

E se antes pensávamos que crianças e adolescentes estariam fora dessa, agora o levantamento do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia nos mostra que não, também elas podem ser atingidas. Como? Através daquela que chamamos de “terra de ninguém”: a internet. 

Como as bets chegam às crianças

Como as bets chegam às crianças

Quem nos explica melhor é o diretor do instituto, Tiago Braga, na mesma matéria: “Há uma série de práticas que são feitas, como, por exemplo, esconder a informação sobre a restrição de idade, colocar anúncio pago, prometer bônus e cashback – o que é uma prática proibida pela lei 14.790 de 2023 – e fazer outros tipos de artifícios para apresentar as apostas como uma espécie de renda alternativa” (Entrevista à Cultura, do UOL).

Ao ler essa notícia, me recordei de um material importante que vem sendo produzido pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) desde 2016: o #Menos Telas #Mais Saúde, um conjunto de alertas aos pediatras, pais e educadores de crianças e adolescentes sobre as questões de saúde, inclusive saúde mental e comportamental, relacionadas à internet e às redes digitais, entre elas, os jogos de videogames e das operadoras que oferecem sites e casas de apostas, como uma suposta atividade de entretenimento. 

Segundo a atualização da SBP publicada em 2024, as empresas usam “influenciadores” mirins, como modelos de propaganda, uma prática criminosa de acordo com as regras de proteção social de crianças e adolescentes do Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA) e Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR). 

Problemas médicos e alertas de saúde às crianças e aos adolescentes na era digital

Dentre os principais problemas médicos e alertas de saúde de crianças e adolescentes na era digital disponibilizados pelo documento, encontramos:

  • Transtornos do sono;
  • Isolamento, no quarto ou em casa, por períodos longos;
  • Uso de nicotina, vaping, bebidas alcoólicas, maconha, anabolizantes e outras drogas;
  • Dependência Digital e Uso Problemático das Mídias Interativas;
  • Riscos da sexualidade, nudez, sexting, sextorsão, abuso sexual, estupro virtual.

O tom deste texto foi um pouco mais sério do que o de costume, eu sei, mas precisamos nos atentar aos desafios da virtualidade para nossas crianças. Identificou algum dos problemas na sua criança? Entre em contato com o(a) pediatra ou psicólogo(a) de sua confiança. Vamos cuidar das nossas crianças, juntos e juntas. 

Meu consultório segue de portas abertas.

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