O período mais animado do nosso calendário brasileiro está chegando: o carnaval! Época de viajar, aproveitar os bloquinhos de rua, os desfiles das Escolas de Samba e recarregar as energias para retornar à rotina.
E para as famílias com adolescentes, essa fase pode significar certa preocupação sobre como incluí-los(as) dentro das dinâmicas da família ou até mesmo o que fazer para que o tédio excessivo não faça parte do feriado.
A resposta vai variar de acordo com cada família, mas, ao longo de mais de uma década acompanhando famílias e adolescentes em consultório, percebo que algumas atitudes fazem toda a diferença para que o feriado seja mais leve, saudável e com menos conflitos.
1) Esteja por dentro das atividades culturais da cidade

Não importa se viajaram ou decidiram ficar em casa, essa época do ano é sinônimo de eventos culturais promovidos pelas prefeituras, centros culturais ou instituições privadas que aproveitam o carnaval para promover atividades com as comunidades.
“Mas meu adolescente quer sair para bloquinhos de rua”
Com certeza tem algum pela cidade!
“Já o meu é mais introspectivo e não gosta de bagunça”
Procure os teatros da cidade e confira a programação!
A boa notícia é que há espaço para todos os perfis.
E lembre-se que não é necessário preencher todos os dias com atividades. Porém, escolher um ou dois momentos especiais para sair da rotina pode estimular o interesse, ampliar repertórios e criar memórias afetivas importantes em família.
2) Dê o braço a torcer e pergunte o que ele(a) gostaria de fazer

É muito mais fácil escolher sozinho(a) a programação do feriado, eu sei! Mas, e se neste ano você aproveitasse o ensejo de passar mais tempo com o seu(a) adolescente e perguntasse: o que você quer fazer no carnaval?
A adolescência é uma fase de intensas transformações físicas e mentais. Gostos mudam, interesses se ampliam, e aquilo que antes não fazia sentido pode passar a fazer. Às vezes, o adolescente não quer exatamente o que você imagina (e só vamos descobrir isso quando abrimos espaço para escuta real!)
Quando ele(a) perceber que sua opinião importa, o vínculo tende a se fortalecer e a convivência a fluir com menos resistência.
Faça o teste e depois me conte como foi!
3) Não force a barra para não se frustrar (ou criar atritos desnecessários)

“Mas ele é menor, precisa obedecer e fazer o que eu escolhi.”
Essa frase merece uma pausa para reflexão.
Você está educando alguém:
- sem personalidade?
- sem direito de escolha?
- que aprende a dizer “sim” mesmo quando não quer?
A adolescência é justamente o período em que o indivíduo aprende a se posicionar, discordar e fazer suas próprias escolhas (com apoio e orientação, não com imposição…).
Forçar programas ou insistir em algo que claramente gera desconforto costuma produzir apenas dois resultados: afastamento ou conflito.
Vale se perguntar:
Essa disputa vale a pena?
O que o meu comportamento ensina sobre diálogo e respeito?
O carnaval pode ser um tempo de convivência mais consciente e de presença realmente presente.
Se você sente que os desafios com seu adolescente estão difíceis demais ou se gostaria de orientação para lidar melhor com essa fase, saiba que procurar ajuda é um gesto de cuidado.
Sou pediatra e hebiatra, e meu consultório está de portas abertas para acolher você e sua família com afeto, empatia e ciência.
Agende uma consulta. Vamos atravessar essa fase juntos.